Sábado, Fevereiro 24, 2007
Bandeira branca
Se era rendição eu não sei, mas que a paz se foi não há dúvida. A guerra não está declarada, ainda que já se faça visível a todos. O que não consigo entender é porque não bato em retirada.
Não falo de fuga, mas de admitir que, se a guerra tomou o lugar do amor e as batalhas o do prazer, nunca haverá vencedor. Seremos, de qualquer forma, dois infelizes derrotados.
Gostaria de me mandar, virar a página e seguir novos rumos. Por mais que, romântico babaca, sempre tenha feito um enorme esforço para esconder o desejo de encontrá-lo, nunca acreditei em amor eterno. Sempre foi fácil mandar tudo às favas quando o primeiro sinal de encruzilhada se aproximava.
Agora, tudo é diferente: acho a saída, mas insisto em retornar: a dor me empurra de volta. Já pensei na crise de abstinência do viciado, no medo da solidão do trintão, na teimosia do capricorniano, no orgulho latino que obriga a negar a derrota e outras esquisitices humanas. Mas, quando penso no olhos e no sorriso que deixaria para trás, é um grande amor o que me invade e me esvazia até doer. E me conduz de volta e faz rastejar como nunca antes.
E, quando vou assim, de joelhos, implorando, encontro do outro lado postura parecida. As declarações de amor se sucedem, os momentos de prazeiroza comunhão se refinam e intensificam, os pactos se renovam e nova tentativa tem início. Mas as batalhas não tem fim e a guerra se prolonga.
Quando deporemos as armas e retomaremos a harmonia, a paixão, o amor e companherismo que tanto me surpreenderam? Quando selaremos o armistício do qual depende nossa felicidade? Ou, alternativamente, quando bateremos ambos em retirada, aceitando que só amor não basta?
Enquanto isso, me arrasto magoado e triste, sem tempo sequer para a boa e velha depressão difusa.
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Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007
Dói.
Muito. Inacreditavelmente.
Mas, como - ainda que a dor seja em parte física, a sua causa é, digamos, d'alma - cá estou eu: fingindo trabalhar.
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Bem brega: quero urrar e me esvair em lágrimas. Quero ao menos a ilusão de que a dor, aos poucos, vai saindo.
Assim, fica essa tempestade presa no meu peito, inflando retida, prestes a transbordar olhos a fora a qualquer momento.
E vem o medo. Medo de perder as forças a qualquer momento.
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Quero doer quietinho, enrolado num canto só meu.
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