O telhado do moço aqui anda um pouco carregado. Para aliviá-lo, vou jogar aqui o que me der nas telhas.

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Quinta-feira, Junho 22, 2006

Viagem.

Disseram que o amor vence qualquer barreira. Romântico bobo, acreditei.

Fosse verdade, o amor entraria num avião comigo...

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Sexta-feira, Junho 16, 2006

Passatempo, passavida.

Tanto tempo, quase nada. Uma vida para o teu rebento; um segundo para a eternidade; uma eternidade para essa rebentada vida minha. Tudo mudou, mas está tudo na mesma. Um monte de coisa aconteceu e uma multidão passou por mim - poucos ficaram. Fatos: inesperados e não queridos, alguns me atropelaram; esperados ou ansiados, muitos nunca se deram. De ti, nunca mais ouvi.

Queria te contar: outros sonhos vivi depois de ti; tentei. Inventei paixões; requentei ideais; alimentei ilusões; criei teorias; engendrei projetos e desengavetei outros - e os arquivei de novo e de novo. Quebrei a cara e quebrei caras.

Queria te contar: dei passos em falso, saí do rumo, errei perdido e perdi o prumo; achei o caminho, andei em círculos e rolei ribanceira abaixo. Sofri; chorei; amei, fui amado e desprezado; aprendi e esqueci; comemorei; desafiei e medrei; investi e desisti; ri; menti, dissimulei e escancarei; comprei e paguei; apostei, ganhei e perdi; experimentei; decidi e fui a reboque. Vivi, enfim.

Queria te contar: voltei lá. Era março. Revi o canto do primeiro olhar, o balcão do primeiro sorriso e o escuro do primeiro beijo. Refiz nossos caminhos: estive em nosso quarto e vi a nossa cama; tomei sol, cerveja e banho de mar em nossa praia; bebi sozinho em nosso bar. E comi, também, nosso sanduíche - mas o dividi com outra boca, vivendo, agora e finalmente, um amor real, verdadeiro e lúcido.

Queria te contar: de tanto procurar, encontrei: pedaços de tua vida em instantâneos do presente e de um passado recente. Algumas fotos, sorrisos, um pouco mais que um punhado de palavras, os telefones novos, o trabalho atual, a famosa mãe, os irmãos e os amigos: um pouco do que conheci, outro do que apenas intuí e mais outro ainda do que sequer tentei imaginar.

Queria te contar: queria que me contasses de ti. Decidiste, ou estás a reboque? És feliz? Ainda lembras? Tens saudades? Ouvistes meu chamado naquelas triturantes e desvairadas noites de março? Daquilo que vi, o que é verdade? Daquilo que vivemos, algo não era mentira? Daquilo que vives, sabes se algo é verdade?

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Quinta-feira, Junho 15, 2006

E, aí?

E se a parente paz for, na verdade, tediosa rendição mútua?

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Terça-feira, Junho 13, 2006

Indispensáveis pequenas liberdades.



Stereo, de Jeff Wall.

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Domingo, Junho 11, 2006

Medo.

Eu odeio o Orkut, sua exposição e suas possibilidades.

Mas, quem procura, acha. Então, reformulando: eu só faço merda.

Bem, poderia ser pior. E ainda pode...

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